Olás!
Vocês já ficaram com raiva de um
autor porque ele morreu? Eu sim. E o nome dele é Stieg Larsson.
Estou
brincando. É claro que eu não tenho raiva dele e vou esclarecer antes que me
julguem mal. O jornalista sueco morreu em 2004: ele faleceu muito
novo e não posso deixar de pensar na vida que ele ainda tinha pela frente. E mais
ainda: não consigo parar de imaginar a quantidade de livros que ele poderia ter
escrito, mas não teve tempo de fazê-lo. E tenho certeza de que seriam livros
dos quais eu iria gostar muito, como a Trilogia Millenium, a culpada pela falta
que sinto da mais remota possibilidade de ler novas obras de Larsson. Podem rir
de mim, mas quando comecei a ler o terceiro volume da série, A Rainha do
Castelo de Ar, eu propositadamente o fiz muito lentamente, para fazer com que o
livro durasse mais, como comer um biscoito recheado por partes para prolongar o
prazer de seu sabor...
Bem, li o livro inteiro e senti
um vazio enorme quando terminou. Ao mesmo tempo fiquei aliviada por ele ter
sido tão bom quanto os outros dois, pois eles foram tão surpreendentes que
fiquei com muito receio de ter uma grande decepção. A Rainha do Castelo de Ar é um
livro denso, da primeira à última palavra, daqueles que nos mantêm com os olhos
colados em suas páginas e, apesar da minha intenção em retardar ao máximo seu
término, depois de três capítulos a minha resolução tinha ido pras cucuias. É impossível parar de ler a
estória que agora envolve não apenas Lisbeth e Michael, mas muitos outros
personagens. Ela dança magistralmente entre passado e presente sem perder o fio
da narrativa e cada personagem é criado minuciosamente, com uma história de
vida que não necessariamente está explícita, mas está ali, nas entranhas e o
torna real, quase palpável.
São tantos detalhes importantes que é impossível
contar um livro em um único post. Ele deve ser lido. A trilogia deve ser lida.
Só assim será possível entender e sentir aquilo que estou tentando dizer. Não basta apenas dizer que são três livros cujos temas principais são bem pesados, como a exploração e a violência sexual contra mulheres, intrigas, corrupção e assassinatos.
Eu não lia um livro que envolvia
tão bem suspense e crimes há muito, muito tempo. Talvez nunca tenha lido.
Talvez nunca mais leia já que, voltando ao início do post, Stieg não está mais
entre nós. Para não dizer que nada mais lerei algo que envolva seu nome,
encontrei por acaso sua biografia, escrita por Jan-Erik Pettersson. Pelo que ouvi dizer, sua vida
não é menos interessante que seus livros.
E nas minhas andanças pela internet encontrei
este artigo, datado de 2013, onde acende-se a possibilidade da saga ter continuidade mesmo sem Larsson. Vamos aguardar.
PS: Depois que terminei de ler o
livro, vi a versão hollywoodiana o filme Os Homens que Não Amavam as Mulheres, o primeiro da trilogia
Millenium, com Daniel Craig e Rooney Mara (que ganhou o Globo de Outro como Melhor Atriz em Filmes de Drama). Na minha opinião não é propriamente o que eu classificaria como um filme ruim e sei que
adaptações cinematográficas nunca representarão exatamente aquilo que lemos nos
livros, mas sinto-me na obrigação de dizer que o roteiro em questão não
conseguiu sequer dar uma noção da profundidade dos enredos. Mesmo com a atuação brilhante de Mara, senti como se
estivesse assistindo apenas a uma sequencia de trechos que em momento algum
foram ligados entre si. Já que me disseram que a trilogia sueca é muito melhor,
estou disposta a tentar assim que eu a encontrar, mas vou sem expectativas, já
sabendo que livro e filme são duas coisas beeeem distintas.