sexta-feira, 28 de março de 2014

Esmalte da Semana: Joga Sal Grosso - Risqué

Quando compro alguma coisa nova quero logo usa-la como uma criança que ganha um brinquedo. É assim com utensílios para a cozinha, livros, cadernos, roupas, acessórios e... esmaltes! E para continuar a série dos mais novos integrantes da minha coleção, troquei o vermelho intenso do Sofia pelo branquinho Joga Sal Grosso, da Risqué. Esse esmalte faz parte da coleção Brasil por Risqué - Fé, da qual já mostrei por aqui o meu Amarração para o Amor.

Lembro bem do dia em que estava na perfumaria comprando alguns esmaltes e uma cliente, manicure, comentou que o Joga Sal Grosso era facílimo de aplicar e ficava lindo lindo. Demorou um bom tempo mas mesmo não curtindo muito esmaltes cintilantes, apostei no que ela disse e na última leva de compras ele foi incluso. Mesmo com todos os elogios, ainda fiquei com receio, mas depois da primeira pincelada vi que a moça tinha razão e o investimento valera a pena!



Ele é branco perolado, levemente furta-cor sem ficar chamativo demais. Na hora da aplicação as pinceladas não ficaram marcadas mas atenção: justamente por ser cintilante, qualquer alteração de textura (como um inocente fiapo de algodão invisível aos olhos) parece um defeito enorme e por isso as unhas precisam estar lisinhas e limpinhas para que o resultado seja bom.

Outro inconveniente foi a demora da secagem, porque eu tive que passar três camadas para conseguir a cobertura branquinha prometida pelo vidrinho e então uma bobeira e o esmalte fica marcado.


Apesar de tudo isso, a avaliação desse esmalte é muito positiva e ele ganhou até elogios sorridentes de amigas que me viram com ele nas unhas! Definitivamente, Joga Sal Grosso que atrai sorrisos e boas energias! Alguém aí duvida??

quinta-feira, 27 de março de 2014

O problema das águas de março... e do resto do ano

Dia 22 de março foi o dia mundial da água e fico me perguntando até que ponto a falta de água é normal. Continua fazendo um calor digno de inferno e a chuva que tem caído continua insuficiente para reabastecer os reservatórios, que estão em níveis alarmantes. Mas será que o problema se resume à falta de chuva? Será que simplesmente com um bom volume de água vindo do céu o problema de água vai se resolver?

Há alguns meses - quando ainda não se falava em racionamento por falta de chuvas - mudamos de casa e, logo no primeiro fim de semana ficamos sem abastecimento. O reservatório do nosso bairro é alimentado através de uma outra região da cidade onde a falta de água é corriqueira e acaba atingindo todos os moradores que desta rede dependem. A nossa sorte foi que percebemos que não chegava água da rua antes que acabasse a nossa reserva na caixa d'água e pudemos assim policiar ainda mais nosso consumo. Afinal, além das nossas necessidades temos uma menininha em casa e não podemos ficar de maneira alguma com as torneiras secas.

Conversando com o nosso vizinho, meu marido descobriu que essa situação se repetia quase todos os fins de semana, quando as pessoas estão em casa e a demanda é maior. Para prevenir futuras situações desesperadoras, pedi socorro a minha irmã, que gentilmente me cedeu dois galões de 5 litros de água filtrada, que agora ficam guardados para emergências. Na mesma semana em que isso aconteceu conosco vi uma reportagem na tv que falava justamente dos problemas de abastecimento em varias regiões do país e fiquei me perguntando como isso é possível em pleno século XXI num pais considerado emergente e que se orgulha de sediar a próxima Copa do Mundo e as próximas Olimpíadas. Mais arrepiada fiquei quando lembrei que os romanos construíram aquedutos há mais de dois mil anos que abastecem a cidade de Roma até hoje, sem dispor de toda a tecnologia existente nos dias atuais. Ainda tive que ouvir uma repórter dizer que em alguns bairros do Recife a água chega apenas até o quintal das casas, porque não tem forças para chegar às torneiras internas...

A cidade onde moro, assim como muitas outras, esta situada em cima do Aquífero Guarani, uma reserva de agua enorme. Então o problema aqui, a priori, não é a falta de água, mas sim o abastecimento. É um problema de infraestrutura, de investimentos e, porque não, de boa vontade, que atravessa os anos e não se resume às estações mais secas. Cada vez mais tenho a sensação de que obras de abastecimento e infraestrutura não interessam aos nossos governantes, já que, enterradas, são invisíveis e consequentemente pouco interessantes politicamente. Por isso tenho minhas dúvidas de que, como disse acima, só uma boa chuva vai resolver nossos problemas.

Isso sem falar no desperdício de água nas mangueiras das simpáticas senhoras que insistem em lavar suas calçadas ou nas minas que surgem no meio do asfalto das quais jorram litros de água limpa cujo destino é a boca de lobo mais próxima. Enquanto isso nossas bocas correm o risco de ficar secas como as nossas torneiras...

quinta-feira, 20 de março de 2014

Acabei de Ler: La prima Indagine di Montalbano

Uma das vantagens de dominar vários idiomas é a possibilidade de ler livros que não necessariamente são editados na língua mãe do leitor – ou na língua do país onde ele vive. Esse é meu caso: nasci na Itália e vivi lá até os onze anos. Quando me mudei para o Brasil aprendi a ler, escrever e falar português na escola, mas sem perder o contato com as minhas origens e depois de alguns anos, comecei a dar aulas de italiano e graças a essa atividade consegui não apenas manter o que eu já sabia, mas pude aprofundar o conhecimento formal do idioma. Hoje, exatamente pelo domínio que tenho tanto do português como do italiano, consigo falar, escrever e ler praticamente com a mesma facilidade nos dois.

Além disso as aulas me levaram a conhecer pessoas que assim como eu vieram de lá e trouxeram consigo um montão de livros interessantes e/ou trazem mais um tanto todas as vezes que retornam à terrinha.

Não fossem as aulas que dei e ainda dou, não teria tido a oportunidade de conhecer obras que ainda não são traduzidas para o português, como La prima indagine di Montalbano, de Andrea Camilleri.



Montalbano é um delegado de polícia perspicaz, pronto a resolver todos os casos com a dedicação e a garra típica dos sicilianos, que de tão interessante saiu das páginas dos livros e se tornou protagonista de uma série televisiva exibida pela RAI. Se bater a curiosidade, aqui está a página da série.

No livro, apesar do título ser “A primeira investigação de Montalbano”, o autor apresenta três estórias que retratam o comecinho da carreira do nosso herói através de três casos diferentes. São contos que envolvem mistério mas que, ao contrário de tantos outros do mesmo autor, não envolvem assassinatos de pessoas. No primeiro o ponto central é uma estranha matança de animais, que começa com um peixe e chega a um elefante. No segundo o personagem central é uma moça misteriosa que está supostamente envolvida com a máfia e no terceiro o caso a ser resolvido é o do sequestro – e da libertação - de uma menininha. Os três contos equilibram as doses certas de mistério, de tensão, de comédia – com as tiradas mal humoradas do delegado, que sofre de uma gastrite-crônica-quase-úlcera – e até de romance, ingredientes presentes em todos os trabalhos de Camilleri. Não vou me aprofundar porque corro o risco de dizer o que acontece no final...

Outra característica da literatura deste autor é o idioma: os contos se passam na região da Sicília e, apesar da maior parte do livro ser em italiano, os diálogos são escritos em dialeto siciliano, conferindo ainda mais realismo aos seus personagens e tornando a leitura mais árdua mesmo para quem domina o italiano, mas justamente por isso mais divertida (pelo menos na minha opinião).


Sei que para quem está lendo pode ser difícil ter acesso a essas obras, mas se tiverem oportunidade – e se souberem ler em italiano – se joguem na leitura. Não vão se arrepender!!