quinta-feira, 20 de março de 2014

Acabei de Ler: La prima Indagine di Montalbano

Uma das vantagens de dominar vários idiomas é a possibilidade de ler livros que não necessariamente são editados na língua mãe do leitor – ou na língua do país onde ele vive. Esse é meu caso: nasci na Itália e vivi lá até os onze anos. Quando me mudei para o Brasil aprendi a ler, escrever e falar português na escola, mas sem perder o contato com as minhas origens e depois de alguns anos, comecei a dar aulas de italiano e graças a essa atividade consegui não apenas manter o que eu já sabia, mas pude aprofundar o conhecimento formal do idioma. Hoje, exatamente pelo domínio que tenho tanto do português como do italiano, consigo falar, escrever e ler praticamente com a mesma facilidade nos dois.

Além disso as aulas me levaram a conhecer pessoas que assim como eu vieram de lá e trouxeram consigo um montão de livros interessantes e/ou trazem mais um tanto todas as vezes que retornam à terrinha.

Não fossem as aulas que dei e ainda dou, não teria tido a oportunidade de conhecer obras que ainda não são traduzidas para o português, como La prima indagine di Montalbano, de Andrea Camilleri.



Montalbano é um delegado de polícia perspicaz, pronto a resolver todos os casos com a dedicação e a garra típica dos sicilianos, que de tão interessante saiu das páginas dos livros e se tornou protagonista de uma série televisiva exibida pela RAI. Se bater a curiosidade, aqui está a página da série.

No livro, apesar do título ser “A primeira investigação de Montalbano”, o autor apresenta três estórias que retratam o comecinho da carreira do nosso herói através de três casos diferentes. São contos que envolvem mistério mas que, ao contrário de tantos outros do mesmo autor, não envolvem assassinatos de pessoas. No primeiro o ponto central é uma estranha matança de animais, que começa com um peixe e chega a um elefante. No segundo o personagem central é uma moça misteriosa que está supostamente envolvida com a máfia e no terceiro o caso a ser resolvido é o do sequestro – e da libertação - de uma menininha. Os três contos equilibram as doses certas de mistério, de tensão, de comédia – com as tiradas mal humoradas do delegado, que sofre de uma gastrite-crônica-quase-úlcera – e até de romance, ingredientes presentes em todos os trabalhos de Camilleri. Não vou me aprofundar porque corro o risco de dizer o que acontece no final...

Outra característica da literatura deste autor é o idioma: os contos se passam na região da Sicília e, apesar da maior parte do livro ser em italiano, os diálogos são escritos em dialeto siciliano, conferindo ainda mais realismo aos seus personagens e tornando a leitura mais árdua mesmo para quem domina o italiano, mas justamente por isso mais divertida (pelo menos na minha opinião).


Sei que para quem está lendo pode ser difícil ter acesso a essas obras, mas se tiverem oportunidade – e se souberem ler em italiano – se joguem na leitura. Não vão se arrepender!!

terça-feira, 18 de março de 2014

Homenagem ao meu Dia do Consumidor

Dia 15 de março foi Dia do Consumidor e, apesar de termos no Brasil um dos melhores Códigos de Defesa e de termos conseguido graças ao trabalho do Procon e de sites de denúncia, uma série de avanços no que se refere ao desrespeito, ainda não há melhor lei que a atenção dos consumidores na hora de adquirir um produto. E estou dizendo isso por experiência própria.

Que as empresas de telefonia móvel no Brasil não sejam o suprassumo da qualidade isso todos aqueles que possuem um celular sabem. Também não é novidade que para “fidelizar” os consumidores, as mesmas lançam mão de uma série de artifícios, que vão de tarifas supostamente promocionais a aparelhos gratuitos. Pois há algumas semanas me ligaram de uma das lojas autorizadas da operadora do meu celular me oferecendo um aparelho grátis ou outros aparelhos com desconto.

O celular do meu marido quebrou e então sábado, dia 15, Dia do Consumidor, fomos até a loja para conferir a tal oferta. Chegando lá não havia aparelhos de graça, mas apenas a possibilidade de conseguir um desconto na compra de um graças ao meu programa de pontos. Marido viu um celular bem simples, sem muitos recursos, que atendia muito bem as necessidades dele e com um preço de aproximadamente R$ 120,00. O valor não é dos melhores, mas com o desconto que eu conseguiria resgatando meus pontinhos, ele cairia para R$ 60,00. Resolvemos levar o aparelho e então, quando a atendente começou a fazer o procedimento, ela me explicou quais eram as condições: com o resgate do aparelho eu assinaria um contrato por mais um ano com a operadora (até aí nenhuma novidade) e eu continuaria pagando R$ 35,00 (valor fixo que eu já pago hoje e que é revertido em créditos para ligações ou mensagens e que acumula quando não utilizado totalmente) MAS passaria a poder utilizar apenas R$ 29,90 em créditos, pois a diferença de R$ 5,10 ficaria para o uso da internet via celular. Detalhe: eu passo o dia inteiro trabalhando no computador e NÃO ACESSO a internet através do meu celular. Tentei explicar isso para a moça, mas ela disse que essa regra valeria para todos os novos planos e que eu só continuaria podendo usar todos os R$ 35,00 se eu não resgatasse o telefone. Antes que ela pudesse mudar de tela, fiz algumas rápidas considerações em voz alta:

  • Como não uso a internet, eu perderia com o novo plano R$ 5,10 por mês, o que em um ano dá R$ 61,20
  • Eu uso geralmente todos os créditos no mês, sobrando algo tipo R$ 1 ou 2 para o mês seguinte e com o novo plano eu seria obrigada a carregar mais R$ 5,00 de créditos todos os meses, o que em um ano dá R$ 60,00
  • A soma do que eu perderia com o novo plano é de R$ 121,20.
  • A esse valor devem ser somados mais R$ 60,00 aproximadamente que eu pagaria no celular novo.

Conclusão: o aparelho para o qual supostamente a empresa está me dando um desconto sairia, na minha situação, a bagatela de R$ 181,20.

Peguei meus documentos de volta, agradeci a gentil moça e saí da loja perguntando ao meu marido que raio de promoção era aquela onde eu sairia perdendo, já que nem possibilidade de escolha do serviço a empresa me dava?

A resposta dele foi: “Você pensa a respeito do que eles dizem e analisa as informações que eles dão, mas infelizmente muitas pessoas não fazem isso e ficam cegas e surdas ao ouvirem a palavra promoção". É triste, mas o que ele disse é verdade, pois muitas vezes vejo gente até bem informada cair nesse tipo de conversa.

Quem me acompanha no blog e pessoalmente sabe que sou a primeira a fazer propaganda de um estabelecimento que eu gostei, mas também falo dos lugares que me desagradaram, pois acho fatos como o que relatei uma enorme falta de respeito das empresas. Cada vez mais acredito que uma possibilidade da situação melhorar está na consciência dos consumidores na hora de comprar. É imprescindível analisar, avaliar, fazer contas e comparar preços, serviços, produtos e qualidade e, se for o caso, dar meia volta e sair do estabelecimento sem levar nada. E até denunciar para o Procon se o abuso foi demais. Quero ver se as empresas vão ficar de braços cruzados quando as vendas despencarem ou as intervenções do Procon chegarem a números estratosféricos!


segunda-feira, 17 de março de 2014

Aconteceu em Fevereiro...

Fevereiro foi um mês de poucos acontecimentos para quebrar a rotina casa-trabalho-casa e consequentemente poucas imagens registradas, mas ainda assim, vale a pena ser lembrado, mesmo que num post bem atrasado!

Em fevereiro...

... começou o segundo ano letivo da minha filhota. Meu marido e eu fizemos questão de leva-la para a escola cedo, logo aos 7 meses primeiro porque não há na família crianças da idade dela com as quais ela possa brincar e conviver, segundo porque acreditamos que a escola ajuda e muito no desenvolvimento dos pequenos em vários aspectos. Por isso, apesar dela estar apenas na Fase 2, faço questão de falar em aulas. Diferente do que muitas pessoas pensam, as crianças não ficam na creche apenas para serem cuidadas. Existe todo um projeto pedagógico desenvolvido pelo grupo de professoras em sala, que envolve atividades como leitura de estórias, músicas, filmes, brincadeiras, que ajudam as crianças a desenvolver a parte motora e o raciocínio. Quase chorei outro dia, vendo minha filha sentadinha no chão da sala, olhando para a tv e fazendo a coreografia da música “Meu pintinho amarelinho” com as mãozinhas, movimentos esses que aprendeu na escola. Isso sem falar na relação com os coleguinhas – que ela adora - e na importância da convivência dela com outras pessoas que não os familiares. É gritante o desenvolvimento que a minha pequena teve desde seu primeiro dia na escola e sou muito grata a toda a equipe da CEMEI por isso.

... consegui finalmente fazer uma visita aos queridos Juliana e Marcio e conhecer a pequena Manuela. Estávamos nos devendo uma visita, já que não nos víamos desde que saí em licença maternidade em junho de 2012. Um tempão né? Pois é... Foi um café da tarde delicioso na casa deles, com conversas “de mãe pra mãe” e muitos sorrisos, além de vários “não mexa”, “não suba na escada”, “ali é perigoso”.... Coisas de quem leva uma pequena exploradora para uma casa que ela não conhece. Mas marquei bobeira: não tiramos nem uma fotinha sequer para a posteridade. Fica para a próxima.

... terminei de ler o livro “Lola e o Garoto da Casa ao Lado” de Stephanie Perkins, a mesma autora de “Anna e o Beijo Francês”. Em breve vou postar a resenha do livro!












... assisti à terceira temporada inteira de How I Met Your Mother. Falei do meu vício pela série aqui e, como podem ver, não pretendo me curar tão cedo. Ainda faltam 6 temporadas, o que dá aproximadamente 120 episódios, mas com a média de episódios assistidos por mês superando as expectativas logo logo posto um texto falando da série como um todo.

... minhas plantinhas resolveram me presentear! Depois de três meses de casa nova e apesar de muita seca e de um certo relapso por parte da pessoa que deveria cuidar delas (eu), flores e frutos finalmente voltaram a aparecer e consegui fotografa-los! Inspiração para gastar um pouco mais de tempo cuidando delas!





















... fomos, eu, marido e filhota, passear na pequena Ribeirão Bonito, junto com meus sogros e minha cunhada. A cidade é pequena e não conseguimos ver muita coisa, mas almoçamos num restaurante (cujo nome não lembro) com uma comidinha caseira deliciosa e aproveitamos para ir até o Morro Bom Jesus, principal ponto turístico da cidade. Lá é possível visitar a Capela de Nossa Senhora Aparecida e desfrutar de uma vista linda da cidade! Além disso o caminho para chegar até lá em cima é uma atração a parte: com seu piso em pedras é extremamente escorregadio quando molhado e por isso a visitação é proibida nos dias de chuva.


E o seu fevereiro? Como foi?